Consultoria Amorosa



'' Deus para a felicidade do homem, inventou a fé e o amor. O Diabo, invejoso, fez o homem confundir fé com religião e amor com casamento''. (Machado de Assis)
E
u perco o meu tempo de banho pra pensar. Muito. Na verdade, acho que banheiro é só uma rotulagem informal pra ''Acadêmia de Filosofia'', que caiu na boca do povo e agora eles chamam de banheiro mesmo.  É meio automático o fato de eu estar refletindo enquanto o chuveiro está ligado. 

Normalmente, é nesse meio tempo que eu gosto de planejar soluções que transformem o mundo em um lugar melhor, ou seja, lá, eu tenho meus momentos de estudante de filosofia que adora uma utopia barata que, no dia-a-dia, quando estou em um bate-papo entre amigos, não teria coragem de falar, de expor, sob o risco de parecer ridícula e pretensiosa demais.

Antes que eu perca o fio da meada, ou melhor, antes que as ''ideias complexas e bem desenvolvidas'' escoem pelo ralo, eu decidi falar sobre o alguns tópicos do amor que andei pensando durante uma chuveirada de um dia de verão. Não sobre o amor especificamente, mas relacionamentos em geral. Eu digo isso porque eu sou o lado racional, frio e calculista do meu círculo social (ou seja, das minhas amigas e colegas fofoqueiras). Normalmente são elas quem vem me pedir conselhos, o que soa até meio irônico considerando que, por eu ser tão (des)equilibrada, não me meto muito em rolos.

O amor precisa ser recíproco (ah, vá). O problema é que essa reciprocidade não existe como recompensa pelo esforço de paciência e companheirismo, mas sim como uma obrigação por parte das pessoas envolvidas em um relacionamento. Daí chega a  cobrança, as incertezas, os desafetos, as diferenças, as brigas, as divisões e o fim (tudo isso num prazo de tempo indeterminado - e a grosso modo - porque existe a fase da reconciliação e acertos no meio de algumas das fases já expostas). Eu não sou uma expert nesse assunto, mas, às vezes, a gente monta umas teorias universais que ajudam a compreender melhor as pessoas.

O fato é que meu consultório anda meio cheio. E normalmente são sempre as mesmas pessoas, o que me leva a propor duas hipóteses: (1) eu sou muito ruim como consultora ou (2) meus pacientes são muito azarados no amor. Mas eu prefiro ficar com as duas opções (mais a primeira do que a segunda). Aliás, acho que eu deveria estar apenas postando desenhos ou fotografias como a maioria dos blogs. Ou deixar mesmo essas filosofias de chuveiro lá no meio do sabão e da sujeira mesmo.


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©  PEANUTS

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